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28 de Março de 2012

Faltam 3 dias para a derradeira partida

7 amigos. 7 bicicletas. 300km por Portugal e Espanha. 6 dias de viagem por caminhos deslumbrantes.

O plano da viagem:

31 de Março de 2012 (Sábado)

A partida de Lisboa

1. Lisboa >>> Entroncamento: Comboio

2. Entroncamento >>> Ponte de Sôr: Bicicleta (~65Km)

O dia começou logo com uma corrida frenética para tomar o pequeno almoço, arranjarmo-nos e depois descer as bicicletas pelas escadas do prédio mais as bagagens. Nada fácil ainda para mais já atrasados para o ponto de encontro (eu, o A. e o P.) lá fomos nós a descarregar a energia do pequeno almoço pela estrada fora. Igreja dos Anjos, ponto de encontro. Lá já nos esperavam o J., a S. e a C..

Siga! Sempre a descer até Santa Apolónia lá fomos nós todos contentes.

Chegados à estação vimos o nosso primeiro contratempo. Bilheteiras fechadas e pouca informação sobre o que se passava. Depois de percorrer a estação de um lado para o outro, lá conseguimos os bilhetes mas com a indicação do revisor que o transporte de comboio do Entroncamento para Abrantes poderia não ser garantido devido à greve dos maquinistas que decorria neste dia… Que pontaria uma greve no dia da nossa partida…

Enquanto colocávamos as bicicletas no comboio conhecemos o Werner, um canadiano mas de origem austríaca que ia começar uma aventura pela Europa. A sua história encoraja-nos. Estimava fazer 4000km, sim quatro mil kms (!). Contamos-lhe que iriamos também dar inicio a uma viagem de bicicleta mas nos nossos planos estimávamos apenas 300km.. É assim.. de momento não temos férias para mais por isso, os 4000 ficam para a próxima (Oh God!).

O Werner connosco no comboio.
Eu, a S. e o Werner no comboio prestes a partir de Lisboa.

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Estação do Entroncamento. Início da viagem de bicicleta.

Reparámos que chegaramos ao Entroncamento. A greve de maquinistas impediu-nos de continuar até Abrantes. Decidimos descer e, a partir daqui, dar início à nossa viagem de bicicleta. São 11h30. Os mapas que imprimimos não tinham detalhe suficiente para nos guiar até ao destino: Ponte de Sôr. Valeu-nos o GPS do telemóvel do A.

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Paragem em Vila Nova da Barquinha.

Depois de percorridos cerca de 65 Kms (35 Kms a mais que o previsto devido a ter partido do Entroncamento) ei-nos chegados a Ponte de Sôr. São 21h30. Estamos todos cansados, foram várias horas a pedalar intervaladas com pausas para encontrar e decidir em grupo as melhores estradas e corta-matos que nos garantissem chegar ao destino o mais rápido possivel.

1 de Abril de 2012 (Domingo)

Chegada a Alter do Chão

1. Ponte de Sôr >>> Alter do Chão: Bicicleta (~37Km)

Hoje acordámos com chuva em Ponte de Sôr. Uma chuva miúda e certinha. Eram 12h30 quando saimos da vila. É muito tranquilizante pedalar e ouvir a chuva cair no nosso impermeável e no capacete sem ter que sentir qualquer gota. No entanto, com chuva, implica mais trabalho na preparação da bagagem em protege-la da água. Tinhamos bagagem fora dos alforges e necessitávamos de a manter seca.

Eram 13h45 quando dávamos entrada em Vale de Açor. Uma pausa com um reconfortante carioca de limão num café da localidade. O tempo estava óptimo, as nuvens deram lugar ao sol pelo que aproveitámos para fazer um piquenique à frente da igreja da mesma localidade.

15h45. Hora da partida de Vale de Açor com o objectivo de chegar ao Crato ou então a Alter do Chão.

Bicicleta da Susana e a Catarina a passar. A caminho de Alter do Chão.
A bicicleta da S. e a C. ao fundo. Esperáva-nos uma longa recta, sós com a natureza.

A partir de Vale de Açor era notório a mudança de paisagem. Na opinião do grupo a mudança era positiva. Esperavam-nos longas rectas, umas planas, outras com uma inclinação aceitável. O movimento automóvel na estrada diminuira permitindo assim envolver-nos mais na natureza, em poder ouvi-la. Começaram a surgir as herdades com gado bravo.

A viagem decorria e o grupo sempre mais atento a todos os pormenores visuais e auditivos. Os pássaros anunciavam de imediato a nossa chegada. Até parecia que nos acompanhavam. Os grilos pelo contrário, enquanto faziam cri-cri, assim que ouviam o aproximar da bicileta ficavam mudos, atentos ao som desconhecido de um pneu a rolar na estrada. Uma sensação de imensidão esta, em podermos escutar e envolver-nos na natureza.

O dia aproximara-se do fim, o por do sôl já mostrara sinais de começar. O cansaço era muito por isso o grupo decidiu pernoitar em Alter do Chão ao invés de seguir na direcção de Crato. Uma boa escolha. Alter é uma vila muito agradável e as pessoas muito atenciosas.

Hoje de manhã num momento de descontração em Alter do Chão. Estávamos quase de partida para uma nova etapa.
O grupo num momento de descontração em Alter do Chão antes da partida para Castelo de Vide.

2 de Abril de 2012 (Segunda)

Chegada a Castelo de Vide

1. Alter do Chão >>> Castelo de Vide: Bicicleta (~42Km)

Era tarde, já 13:10 quando saímos de Alter do Chão. A manhã foi dedicada ao descanso, aos passeios pela vila de ALter e finalmente na preparação da nova etapa.

À porta da residencial a preparar para sair de Alter do Chão.
À porta da residencial a preparar para sair de Alter do Chão rumo a Castelo de Vide

Seguíamos em direcção ao Crato para conhecer a vila e com a ideia de almoçar, fazendo um piquenique num jardim da vila. A vila esperáva-nos com faixas roxas, simbolos da páscoa. No caminho, na vila reecontrámos o Sr. Alemão que esteve na última noite na mesma pousada que nós, em Alter do Chão. Já perto dos seus 70 anos percorria a via lusitana, desde o Algarve até Santiago de Compostela. Um grande exemplo para todos nós. Diz-nos (e em português) que Portugal é um país 5 estrelas, pelas paisagens, pelas localidades, pelas pessoas, .. palavras que nos encheram de orgulho.

A paisagem a caminho do Crato.
A paisagem a caminho do Crato

As herdades de gado bravo são uma constante ao longo do percurso.
As herdades de gado bravo eram uma constante ao longo do percurso

crato
Chegada ao Crato.

Finalizado o almoço seguimos desta vez em direcção a Alagoas. Eram 16h00. A paisagem ia ficando cada vez mais espectacular. O facto de irmos numa estrada secundária trouxe-nos uma maior sensação de liberdade. Eramos nós, só nos os 6 e a natureza. Por esta estrada as herdades com gado bravo ou os campos com ovelhas e ou cabras eram uma constante. Pelo caminho os pássaros continuaram a ser os nossos companheiros. Os tentilhões destacavam-se muito bem hoje. Lindo! Os grilos também, ao longe no seu cri-cri.

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Entre Flor da Rosa e Castelo de Vide. Esta estrada secundária era muito convidativa.

No caminho passámos por Flor da Rosa. Terra do nosso D. Nuno Álvares Pereira. Grande mestre que nos deu grandes vitórias nas batalhas contra os castelhanos com a sua técnica do quadrado.

Rua em Flor da Rosa
Rua em Flor da Rosa

Chegados a Alagoa fizemos a nossa última paragem antes de Castelo de Vide.

Paragem em Alagoas
Paragem para descansar em Alagoas

A caminho de Castelo de Vide a apreciar o pôr do sol.
A caminho de Castelo de Vide, a apreciar o pôr do sol numa paragem curta para descansar

Já perto de Castelo de Vide decidimos arriscar num corta mato por uma estrada cortada num ponto que cruzava com a linha do comboio. No meio do nada tivemos a sorte de nos cruzar com um senhor que habitava por ali perto que nos indicou que a passagem pela linha do comboio era possível ajudando-nos a passar as bicicletas pela vedação que impedia o acesso à linha. Ficámos-lhe agradecidos pois pouparamos Kms e tempo pois o sol ameaçava em breve esconder-se e ao longe ouvia-se a trovoada que se avizinhava. 200m depois estavamos de volta à estrada quando passa uma carrinha de caixa aberta a oferecer-nos boleia. Faltavam 3km para Castelo de Vide. O cansaço era evidente pelo que nós mulheres não hesitámos em aceitar. Foi um sim convicto! Os nossos companheiros decidiram seguir de bicicleta. Há ‘Grande João Pedro’! Um grande obrigado pela simpatia e generosidade! Foi um grande gesto. Muito amável.

boleia
Na carrinha do Sr. João Pedro seguiamos à boleia as 3.

Chegadas a Castelo de Vide, decidimos as três ir beber um chá quente enquanto esperávamos pelos rapazes quando de repente nos surgiram.. “Como? Já?!”. Incrivel a sua resistência depois de um dia super intensivo. O dia não podia ter sido melhor e para acabar em grande nada como um bom jantar na Casa do Pasto e depois um bom descanso na “Melanie”. Amanhã há mais.

3 de Abril de 2012 (Terça)

Chegada a Marvão

1. Castelo de Vide >>> Marvão: Bicicleta (~12Km)

Hoje o dia vai ser mais relaxado. O grupo decidiu ficar mais uma noite em Castelo de Vide para se ter mais tempo para ver a vila e arredores. Assim também temos tempo para os desenhos e para a leitura. Viemos ver a vila de Marvão. Viemos de bicicleta mas sem as bagagens que ficaram no alojamento. Em Marvão o GPS indica-nos que estamos a 900m. Está muito frio.

Vista do castelo
Vista da vila de Marvão a partir do castelo.

Vista do castelo
Vista do castelo de Marvão a partir das muralhas.

Rua em Castelo de Vide
Pormenor de rua no Marvão.

marvao
De regresso a Castelo de Vide e o Marvão já lá ao longe.

Regressados a Castelo de Vide, decidiramos jantar. Aconselharam-nos o restaurante do Johnny. A escolha não podia ter sido melhor. Muita simpatia e boa comida.

A noite estava serena e, depois de um agradável janta, o ambiente convidava-nos para um passeio pela vila. Castelo de Vide é uma vila antiga. No passado acolhera muitos dos judeus fugidos de Espanha. A presença das raízes judaicas é bastante evidente. Vale a pena visitar esta vila história, ver o castelo, a judiaria e a sua sinagoga.

Pormenor de porta em Castelo de Vide
Pormenor de uma porta de uma casa em Castelo de Vide.

Sinagoga em Castelo de Vide
Sinagoga de Castelo de Vide.

4 de Abril de 2012 (Quarta)

Partida de Castelo de Vide

1. Castelo de Vide >>> Nisa: Bicicleta (~28Km)

De Castelo de Vide levamos muitas recordações. A começar pela boleia do sr. João Pedro na chegada a Castelo de Vide na sua carrinha de caixa aberta, nas várias vivências na casa da Melanie, na casa do pasto “Os Amigos” e no restaurante O Johnny, ambos pela simpatia, o bom acolhimento e pela boa comida.

A paisagem entre Castelo de Vide e Nisa é muito bonita. Passaramos pelo Parque Natural de São Mamede. Já eram menos as herdades de gado bravo mas agora começaramos a ver mais campos de cereais. As cores das plantações davam um perfeito quadro. Sentarmo-nos a observar toda esta envolvência é o suficiente para esquecer-mos a rotina frenética que temos em Lisboa no nosso dia-a-dia.

Pradaria em Nisa
Campos de cereais a caminho de Nisa.

5 de Abril de 2012 (Quinta)

Chegada a Vila Velha de Ródão

Nisa => Vila Velha de Ródão => Lisboa

1. Nisa >>> Vila Velha de Ródão: Bicicleta (~17Km)

2. Vila Velha de Ródão >>> Lisboa: Comboio

A paisagem a caminho de Vila Velha de Ródão muda novamente. É mais montanhosa e agora começam-se a ver os eucaliptos. Apanhámos uma estrada nacional e, talvez por esta razão, deixámos de ver as herdades com gado bravo.

Nesta viagem apercebemo-nos das várias diferenças de paisagem entre o Ribatejo, o Alentejo e a Beira baixa. Diferenças que não nos apercebemos quando fazemos a mesma viagem de carro.

Estrada para Vila Velha de Ródão
Estrada a caminho de Vila Velha de Ródão.

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A caminho de Vila Velha de Ródão. O Tejo ao longe.

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Já a chegar a Vila Velha de Ródão e o Tejo aqui ao lado.

Chegados a Vila Velha de Ródão seguimos na direcção da estação dos comboios. Na estação não havia ninguém para podemos comprar os bilhetes, ninguém nas plataformas e nenhuma informação afixada na estação. Preocupados decidimos ligar para o call center da CP que nos indicou haver neste dia disturbios nos horários dos comboios devidos a greve na CP. Nem podíamos crer, cada vez que viajavamos de comboio apanhávamos a greve. O único comboio que seguida nesse dia para Lisboa estava prestes a chegar pelo que não tinhamos tempo a perder. Necessitávamos de trazer as bicicletas e todo o material para a plataforma. Infelizmente, devido a este contratempo não tivemos hipóteses de conhecer Vila Velha de Ródão..

Após tanta peripécia resta-nos descansar no comboio a caminho de Lisboa. O grupo sente-se bem e feliz. A viagem ao longo destes dias foi incrível. Levamos muitas boas recordações. Sentimo-nos física e psicologicamente bem. Este tipo de viagens são boas para medir a nossa capacidade de auto-confiança, em conseguirmos ultrapassar as etapas duras que enfrentámos e saber pensar em grupo. Gostámos tanto que já estamos a querer planear outra viagem ou passeio de bicicleta. A vida é bela.

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As bicicletas já em Lisboa.

“Ride as much or as little, or as long or as short as you feel. But ride.” ~ Eddy Merckx

O percurso realizado

Viagem de 6 dias e 5 noites.

  • 1º dia: 31/Março/2012, Lisboa – Entroncamento: Comboio da CP
  • 1º dia: 31/Março/2012, Entroncamento – Ponte de Sôr. ~65Km. Bicicleta
  • 2º dia: 1/Abril/2012, Ponte de Sôr – Alter do Chão. ~37Km. Bicicleta
  • 3º dia: 2/Abril/2012, Alter do Chão – Castelo de Vide. ~42Km. Bicicleta
  • 4º dia: 3/Abril/2012, Castelo de Vide – Marvão – Castelo de Vide. ~12Km Bicicleta
  • 5º dia: 4/Abril/2012, Castelo de Vide – Nisa. ~28Km. Bicicleta
  • 6º dia: 5/Abril/2012, Nisa – Vila Velha de Ródão. ~17Km. Bicicleta
  • 6º dia: 5/Abril/2012, Vila Velha de Ródão – Lisboa: Comboio da CP

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